Mulheres com câncer de mama - um dia de modelo e troca de experiêncas

(Roxane Regly para o Jornal de Limeira / Fotos Maurício R. Martins)

Um "Encontro com a Autoestima" reuniu na tarde de ontem 35 mulheres no anfiteatro do COL (Centro de Oncologia de Limeira). São pacientes em tratamento ou recuperação do câncer de mama. Mais do que uma palestra motivacional, foi um tempo voltado ao autoconhecimento, troca de experiências e sentimentos. O evento faz parte da campanha "Esperança e Vida".

Três momentos marcaram o evento. O primeiro deles foi uma palestra ministrada pela jornalista Luciene Scamparin Dressano, 51, que há 12 anos se curou de um câncer de mama. A superação é sua marca e com isso ela passou força às presentes, além de dicas para enfrentar o momento difícil da doença. Foi também um momento de bate-papo e desabafo entre as participantes.

"Vocês vão tirar de letra este momento. Vão se amar daqui para frente. É preciso seguir com fé, apreciar a vida, se respeitar, saber seus limites", disse Luciene às participantes. Ela acredita que as reuniões em grupos de mulheres que passam pelo mesmo momento auxiliam no tratamento. "O mais difícil é ter alguém para te ouvir. Aqui uma entende a outra, afinal, estão passando pelo mesmo momento, e assim é mais fácil seguir mais feliz, mais agradecida", afirmou.

Mulheres como Andréa foram produzidas para sessão de fotos
Outro momento proporcionado às pacientes foi um coffe break, para estimular o bate-papo e a troca de experiências. Por fim, o ponto alto do evento foi "um dia de modelo". As participantes foram maquiadas, produzidas e fotografadas por uma equipe de profissionais. A melhor foto foi oferecida como lembrança para ser levada para casa.

A coordenadora de comunicação corporativa e responsável pelo projeto, Juliana La Motta Carvalhaes, aponta que o evento, realizado por uma empresa do gênero farmacêutico, buscar atingir um público muitas vezes focado. "Há muitas campanhas focando a prevenção, mas quando elas se descobrem com a doença, não tem mais com quem falar. Procuramos dar esse pontapé inicial, proporcionar a troca de experiências e permitir que elas se fortaleçam", afirmou Juliana.


União em torno da família e o aprendizado para a superação

Durante o "Encontro com a Autoestima", promovido ontem, no COL (Centro de Oncologia de Limeira), mulheres com câncer de mama puderam contar suas histórias e compartilhar experiências emocionantes a respeito do processo de tratamento e recuperação.
União e apoio da família ergueu Márcia durante tratamento
A dona de casa Márcia Andréa Peverari dos Santos, 42, descobriu há pouco mais de um ano o câncer de mama. Foi durante um autoexame que ela detectou que algo podia estar errado e procurou um médico. "Quando confirmou, eu vi meu chão desabar, cheguei a me revoltar com Deus pelo tanto que eu pedi que não fosse isso, achei que Ele não gostasse de mim. Mas por outro lado, hoje eu aprendi a dar valor em coisas que antes eu não dava", contou.

A doença também uniu ainda mais a família de Márcia. "Hoje estamos todos mais próximos. Cada fase tem suas expectativas e consegui passar por cada uma delas com o apoio deles", ressaltou.

A dona de casa Maria Aparecida Mortarelli, 67, trata há cerca de um ano o câncer de mama. Ela já passou por 33 sessões de radioterapia e quatro de quimioterapia. "Faltam apenas duas, mas eu estou muito bem", disse. A vitalidade com que conseguiu chegar até o final do tratamento, segundo ela, se dá pelo apoio e pelas orações recebidas.

Em sessão de fotos, Maria Aparecida lembrou das
preces de familiares e amigos do grupo de oração
Foi graças aos exames de rotina que a dona de casa descobriu indícios da doença e foi levada a procurar um diagnóstico mais profundo. Por ter descoberto no início, começou logo o tratamento. "Quando soube, estava eu e minha filha, o mundo caiu para mim, eu não sabia como ia voltar para casa. Mas eu tive muito apoio da minha família e muitas orações", contou.

Maria Aparecida faz parte de um grupo de oração, que intercede por pessoas doentes. Quando descobriu a doença, foi para si que as preces se voltaram. "Tudo isso me deu força, sem contar que procurei estar sempre alegre, foi difícil, mas hoje estou muito bem", relembrou. Em breve ela passará por uma nova bateria de exames, para constatar a eficiência do tratamento e deverá acompanhar pelos próximos cinco anos a situação do câncer.

Quem também participou da atividade na tarde de ontem foi a dona de casa Teresa de Jesus Cipriano Borelli, 61, que teve câncer de mama há 12 anos. Hoje recuperada, ela atua em um grupo de apoio a mulheres com essa patologia, o "De Mãos Dadas", apoiado pela psicóloga Solange Dantas. Ela passou pela doença de forma tranquila, mas pelo fato de desconhecer os riscos e perigos.

"Eu percebi que ignorava o assunto, quando então decidi aprender mais e me dedicar a trabalhar com isso", disse. Teresa avalia que iniciativas como o encontro são importantes para a mulher portadora da doença. "É preciso ter um momento para conversar, trocar experiências". O grupo se encontra todas as sextas-feiras, às 8h, no postão.

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