Especial 21-10

E-books podem ser a saída para pequenas livrarias
Dentro de dez anos, muito provavelmente não acontecerão cenas desconfortáveis como a que marcou o primeiro dia do estande do Brasil na Feira de Frankfurt: prateleiras completamente vazias, com as quase duas toneladas de livros retidas na alfândega de Madri. Ao menos, é o que prevê a maioria dos editores presentes a Frankfurt, no maior evento literário do mundo que encerrou ontem sua 60ª edição - uma pesquisa realizada pelos organizadores com mais de mil representantes do mercado editorial de todos os continentes aponta 2018 o ano em que os livros eletrônicos, os chamados e-books, superarão em volume de negócios os existentes hoje, em papel, informa o Estadão Online.
"A chegada do livro digitalizado é inevitável", comentou Juergen Boos, diretor da feira, lembrando que, já neste ano, 361 exibidores (ou 5% de um total de 7.373) incluíram e-books em seu mostruário. Se o número ainda parece ínfimo, revela um grande crescimento em relação ao ano passado, quando aproximadamente 2% já tinha aderido à nova tecnologia. "É importante notar que 42% dos produtos que estavam em exibição aqui eram livros, enquanto 30% eram digitais", observou.
O assunto prometia ser o prato principal da feira desde seu início, quando Paulo Coelho, convidado a participar da abertura oficial, fez menção ao fato em seu discurso. "Os livros digitais reclamam seu espaço e tudo indica que chegará o momento em que o digital superará o papel", disse o escritor. "O tempo que falta até isso acontecer é o que resta a autores e editores se adaptarem até sermos alcançados pela rede mundial."
A contagem regressiva, de fato, começou. "Não sei se precisaremos esperar uma década", acredita Paulo Rocco, presidente do selo editorial que leva seu nome. "Acho que em cinco anos o e-book já terá ocupado um espaço considerável." Segundo ele, a corrida, no entanto, movimenta hoje mais a indústria que vai desenvolver as ferramentas para carregar o texto dos livros que propriamente o mercado editorial. "Estamos esperando pelas novidades para então fornecermos as obras."
Direitos AutoraisO cuidado com os direitos autorais, por exemplo, e seu principal rival, a pirataria digital. "É importante, pois com esses mecanismos será possível comprar desde a obra completa como apenas uma parte, algo como apenas um parágrafo", imagina Rocco. "Quando o leitor pagar, digamos, R$ 2 por um trecho, será preciso ter um controle dessa quantia."
O assunto motivou um debate durante a feira, que reuniu profissionais já ocupados com tais temas. Como Eric Merkel-Sobotta, da Springer, uma das maiores editoras de livros científicos do planeta e que já oferece cerca de 3.400 novos e-books por ano, além de disponibilizar cerca de 25 mil títulos na internet. "A regulamentação atual já representa um bom começo, mas teremos, é evidente, de cuidar dos detalhes", comentou. "O livro como existe hoje tem a grande capacidade de ser um bem público, pois pode passar por várias pessoas. O mesmo acontecerá com o e-book: ao baixar um texto, por exemplo, o leitor terá a opção de tê-lo apenas em seu aparelho ou, a partir de outra quantia, disponibilizá-lo para, digamos, outras seis pessoas."
As obras de referência, desde científicos até os de uso geral (como de turismo, culinária etc.), deverão ser os primeiros a ganhar impulso digital. "São textos que necessitam de constantes atualizações", explica Ronald Schild, da MVB, empresa responsável pelo serviço de marketing do comércio livreiro alemão. Ele gerencia um ambicioso projeto, o Libreka, criado em 2005 com a finalidade de criar uma biblioteca digital, ou seja, oferecer ao leitor tanto obras clássicas, como Goethe, quanto as mais populares, como aventuras de Perry Rhodan - mas todos em língua alemã.
Hoje, estão já disponíveis para consulta cerca de 2.300 livros, a maioria ligada à área das ciências sociais, do direito e da economia (601 obras), todos com versão digital à venda. "A expansão dessa tecnologia vai provocar mudanças importantes também nos livreiros", acredita Schild. "Será uma ótima oportunidade para as pequenas empresas, que hoje não dispõem de espaço para abrigar muitos livros, oferecerem um catálogo de fazer inveja a qualquer megastore."
Para isso, acredita ele, terá mais sucesso quem criar uma rede de compradores fiéis. "Será preciso intensificar o sistema de relacionamento personalizado em que o leitor é informado dos lançamentos que lhe interessam."
Editores não acreditam, porém, no fim definitivo do livro em papel. "Esse continuará insubstituível para parcela dos leitores que jamais vão se desfazer, por exemplo, de seu dicionário favorito", acredita Luciana Villas-Boas, da Editora Record. "Também os livros infantis sobreviverão, pois, para criança, o contato tátil é essencial", completa Paulo Rocco. Ambos, porém, acompanham atentos à mudança inevitável.

Comentários

  1. Olá amiga
    Ebooks - Livros Digitais Gratuitos??? <:O mais um forma para os internautas (Eu) baixarem livros digitalizados, caraca meu :o
    ja ouvir falar alguma coisa, mas não de forma tão clara...
    bJUZZ

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