Empreendedorismo: nossos sonhos são do tamanho que os enxergamos


Eu escolhi para mim uma profissão que tem sim suas possibilidades de se empreender e trabalhar por conta. Mas escolhi também o caminho mais convencional, de ter um empregador. Mesmo assim, nunca deixei de me considerar uma jovem empreendedora e claro, tenho uma constante ânsia de fazer mais - por mim, pela minha família, pela sociedade, por causas justas.

Empreendedorismo é aquele tipo de coisas que se nasce com ele. Tenho uma filosofia que fala de um nível que eu ainda não alcancei (e só Deus sabe se um dia vou chegar) que é: há quem nasceu com o dom de transformar frangos em galinhas dos ovos de ouro. Por outro lado, há também quem não nasceu com essa dádiva e ponto. Em suas mãos frangos serão sempre frangos.

Mas, empreender também é algo que aprendi na escola, por ter sido uma das privilegiadas a ingressar em um grupo extra curricular chamado exatamente "Jovens Empreendedores". É uma iniciativa da Junior Achievement, encabeçada em Limeira pelo Ideli (Instituto de Desenvolvimento de Limeira).

Eu aprendi sobre mundo dos negócios, sobre finanças, sobre iniciativa, sobre empreendedorismo. E aprendi com pessoas reais, material de primeira qualidade e muito amor à causa. Ano a ano frequentei aulas extras para falar daquele assunto, visitei empresas, conheci empresários e fui crescendo não somente nas disciplinas obrigatórias, mas também na vida. Tudo isso durante os anos mais precisos dos meus estudos, o início da adolescência. Já no auge dessa fase, participei também de uma última etapa, a que transformava todo o conceito em prática, o projeto Miniempresas. Criamos uma empresa, uma "fábrica de doces", com todas as suas etapas do conceito ao produto final e fizemos nossas ações renderem. Puro sucesso para uma dúzia de adolescentes! Eu me envolvi de cabeça em cada uma dessas fases e projetos...

Anos mais tarde, eu já estava trabalhando no jornalismo, com notícias para impresso. Achava que de certa forma eu tinha "perdido esse bonde", até que eu ouvi de um dos maiores empresários de minha cidade o quanto éramos empreendedores, independente das escolhas que fizéssemos - se trabalhar para alguém ou para nós mesmos. Entendi que empreender era um estado de espírito e eu poderia aplicar isso onde quer que eu estivesse e isso me animou.

Eu aprendi que empreendedorismo é para a vida. Controlar finanças e otimizar o uso de seu salário fixo é sim empreendedorismo. Inovar, ser criativo, agir com proatividade, seguir e cumprir metas é empreendedorismo. E fazer negócios, investir em coisas certas, saber a hora de aplicar, mesmo no âmbito pessoal, é ter sucesso! Julgo que eu consegui alcançar a maior das lições que todos meus consultores da parceria Ideli/JA queriam...

E "trabalhando para os outros" eu conquistei muitos tijolinhos, fiz investimentos próprios desde os 15 anos. Me traz certo orgulho saber que não passei a vida a "queimar dinheiro", mas sim transformei suor em conquistas reais e palpáveis!



Dia desses ouvi mais de uma vez, de diferentes pessoas, que eu devia ter me contentado com um investimento do passado e não tê-lo vendido, ainda que com bons rendimentos, para buscar por algo maior. Esse algo "maior" trata-se de um sonho, uma perspectiva. E ouvir que o "menor" já estava de bom tamanho para quem estaria começando me incomodou.

A sugestão soou como se eu não devesse ter feito aquele negócio e estar em busca de ir além, como se minha primeira tentativa fosse a única que eu devesse ter na vida, sendo ela a cara dos meus sonhos, OU NÃO. Como se nosso legado fossem pequenas conquistas que sufocassem sonhos verdadeiros, como se tivéssemos que viver com aquilo que para os outros nos parece ser o melhor, porque assim o prédeterminaram.

É como um repórter de cadeia nacional que declarou não ter um bom inglês porque estudou em escola pública estadual. Pois é, eu também. Mas me esforcei em cursos particulares depois que saí da escola e me desenvolvi na língua. (Ele tem salário na TV que trabalha e poderia pagar seus próprios cursos, não?!)

É como se, em 2010, eu tivesse acreditado na professora-orientadora que me disse que não era adequado tentar produzir e escrever um livro sozinha, que eu não conseguiria. Que ao invés disso eu deveria agregar valor a um trabalho que alguns amigos já estavam fazendo. Este ficou impecável, com certeza, mas não era o que eu planejei. O meu sonho era maior, tinha tamanho, cor e forma. Custava mais (em $$$) sim, demandava mais tempo, mais esforço, mais luta. Mas eu lutei, eu empreendi nele e venci, construi, fiz virar realidade!

É como se eu acreditasse que por um intercâmbio ser muito caro, eu nunca poderia morar no exterior. E aí que eu encontrei um projeto de voluntariado, me dediquei a uma causa e vivi uma das maiores experiências da minha pessoais de vida - vivi na Europa, conheci inúmeras culturas, estudei inglês, servi pessoas e com uma grana pela qual eu trabalhei muito antes de ir, viajei para cinco países europeus, para mais de 15 cidades diferentes. Podiam me dizer que "tava bom" como estava. Estudei em escola pública, faculdade privada e estava empregada. Mas eu quis mais, meu sonho era bem maior, e eu conquistei, porque empreendi.

Que este texto seja para você que está em um dos dois seguintes grupos: no dos que desacreditam do potencial de jovens empreendedores ou no dos jovens empreendedores que talvez ainda não descobriram isso. Você, jovem, é empreendedor. Eu, meu amigo, sou empreendedora. Eu cuido da galinha alheia e mantenho com firmeza e alegria o minha pequena e jovem galinha, que pode um dia vir a botar lindos ovos. Em minha vida, em sua vida, nós podemos empreender coisas maravilhosas.

Nossos sonhos são do tamanho que nós o enxergamos, enxergue o seu também!



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