O Brasil acordou!

E por fim, o brasileiro está saindo das mídias digitais e indo às ruas protestar e pedir uma vida melhor, lutar por bem estar e por direitos. É o que temos visto nos noticiários, um movimento acontecendo, reunindo jovens em protestos em todo Brasil, atingindo várias capitais, entre outras cidades.

Antes de começar minha defesa a este movimento, seus desdobramentos e à liberdade de expressão, faço uma ressalva - um repúdio aos manifestantes grosseiros e agressivos, que quebraram e estragaram patrimônio público e privado. Manifestar-se tem tudo a ver com direitos, sim, por isso, quando se entra em um movimento é necessário lembrar-se que seu direito termina onde o do outro começa. Destruição e vandalismo é ilegítimo, irresponsável e grosseiro. E é crime. Para esse tipo de atitude pedimos um basta!

Há muito tempo a população vem se acomodando e se tornando cada vez mais passiva, sem ideias, opiniões e posições. Já passou o tempo em que o pensamento do povo era restrito a ser alinhado com os governantes. Com os movimentos históricos as pessoas foram ganhando esses direitos e entre eles está o direito de livre pensamento e expressão. A começar pela democracia e pelas eleições diretas, hoje temos o direito ao voto e, portanto, direito a escolher em quem acreditar e como se comportar.

Com o crescimento e avanço das redes sociais entre todos os públicos, de diferentes idades e classes sociais, começou timidamente surgir uma  uma nova forma de protestar, que foi crescendo: um exemplo básico foi o caso da Brastemp - o descontentamento com a empresa que vendeu uma geladeira ao cidadão o levou a gravar um vídeo, com tantas visualizações que pressionou a empresa a fazer a troca. Inúmeros exemplos como este voltaram a repetir...

Mas a internet ainda percorre um caminho sem rumo, meio terra de ninguém. Fala-se muito, o assunto toma corpo (um corpo, na minha opinião, vazio), ganha repercussão, todos divulgam, vários distorcem, muitos se enganam e logo tudo some e volta a ser como era antes. Com as mídias digitais temos a chance de usufruir uma "ágora moderna", ou seja, um espaço de discussão e crítica. Mas muitas vezes fica-se apenas na reclamação, vazia e desnorteada. Palavras sem ação pouco mudam o pensamento de governos cada vez mais estreitos e sem vontade de negociação, sem intenção popular.

Acho infundado quando vejo coisas "vamos chegar a um milhão de compartilhamentos para protestar". A que e a quem efetivamente os compartilhamentos atingem? É uma geração de lixo eletrônico, enchendo timelines e não atingindo ninguém que realmente possa mudar o cenário.

Olhando para fora da janela, o brasileiro acostumou-se a viver à mercê de greves, ano após ano é a mesma coisa, o mesmo transtorno. É greve dos bancos, é greve de servidores, é greve nas escolas, é greve nos ônibus. Apesar dos transtornos, considero que greve é para incomodar mesmo, para mostrar que se nada for feito por determinada classe, a sociedade para!

Mas sempre me perguntei quando é que o Brasil vai parar ou ser parado pelo outro lado, pelo cidadão que quer uma vida melhor? Quando é que o trabalhador, o estudante, o cidadão comum vai parar a sociedade para questionar o que efetivamente está sendo feito no coletivo para transformar impostos em qualidade de vida?

Vejo que isso pode estar começando a acontecer. Dizem que é um movimento puramente político. Mas se vivemos em uma sociedade democrática, por que não podemos tomar partidos diferentes das posições já existentes e das que dominam o país? É legítimo! Não importa qual seja o grupo, é legítimo pedir por algo que se deseja.

Trabalhamos e vemos 1/3 de nosso esforço escorrer para os cofres que arrecadam impostos, enquanto pagamos por saúde particular, com medo de um dia depender das enormes filas por consultas e internações, pagamos por educação, pois só um filho da escola pública (o meu caso) sabe o quanto o sistema é ineficiente, entulhamos as ruas de carros (nós que podemos), pois não há sistema de transporte público eficiente ou vemos ônibus lotados, atrasados e caindo aos pedaços, com passagens caras, que comprometem boa parte da renda de um trabalhador comum, nos trancamos em grades de condomínios ou vivemos apavorados ao andar nas ruas, em sua maioria mal iluminadas.

Precisamos de mais gente saindo de casa e mostrando que não são apenas R$ 0,20 em uma capital, é todo um conjunto de fatores, é o ônibus cada dia mais caro e com cada vez menos qualidade (isso na maioria das cidades do Brasil, inclusive aqui no interior de São Paulo), é o sistema de saúde e de educação precário, é o trânsito mais caótico, é cada vez menos moradia para o brasileiro.

Tudo que esperamos a tanto tempo é por um Brasil melhor, um Brasil mais justo e mais eficiente para seus moradores. Não importa qual o governo, qual o partido... Não faço aqui uma defesa partidária, mas faço uma defesa ao que é correto e de bom tom! É ou não é de bom tom trabalharmos por um país melhor?!

Imagem do Facebook do Edinho Gouvêa



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