Agora eu era o herói...

Primeiramente, caros leitores, peço licença para mais uma vez utilizar esse espaço para falar da política limeirense. Sei que muitos de vocês que acompanham meus artigos e crônicas nada tem a ver com Limeira, com nossa política e com os bastidores desse cenário. Mas trata-se de um desfecho dos acontecimentos que se desencadearam desde 24 de novembro de 2011 e pelos quais tomei partido e posição na postagem O carnaval do desgosto, do dia 17 de fevereiro de 2012.


AGORA EU ERA O HERÓI...

De bandido a herói. É assim que Piuí (PDT), vereador da oposição saiu da sessão de julgamento que cassou o prefeito de Limeira, Silvio Félix (PDT), na última sexta-feira. Para mim tudo era suspense. Não me preocupei com os bastidores e não sabia quem poderiam ser os votantes a favor ou contra daquele julgamento. Fui surpreendida pelo "não" do parlamentar e então tive a certeza do resultado final. Quando vi Piuí sair carregado lembrei-me de um verso da música João e Maria, de Chico Buarque:


"Agora eu era o herói..."

Sim, Piuí saiu como "herói", como "rei"... De vilão em uma semana a herói noutra, Piuí ganhou de volta seu prestígio com uma população que até pouco antes o ultrajava... (Até agora estou me perguntando se aqueles que o chamaram analfabeto, por exemplo, ofensas que nada tinham a ver com sua posição política, já se desculparam. Isso vale até para colegas...!) Diríamos que foi aos 45 do segundo tempo, numa reviravolta inesperada, o voto contrário à absolvição, ainda duvidoso para a população, mas que encheu de melodia os ouvidos limeirenses, de um cântico de vitória.

O vereador aliado, que traiu seu partido de eleição, foi expulso e migrou para o partido da situação, que declarou, inclusive, não acreditar haver corrupção no país a promotores que o interrogaram sobre o voto anterior, favorável ao relatório divergente, se voltou contra a corja corrupta e pressionadora, não deu ouvidos à pressão e às ameaças da defesa e deu os braços novamente ao povo, seu reduto. Ganhou a cena, virou herói. E saiu cantando:


"Agora eu era o rei..."

E essa história tem mais heróis. Um verdadeiro exército deles. Quem carregou na maior parte das cenas o papel principal, o papel de "mocinho", foi Ronei Martins (PT). Ele figurou aqueles heróis de batalha, montado a cavalo, coberto de poeira, corda em punho. E foi tão sortudo que até a ordem alfabética o favoreceu. Foi presenteado com o décimo e decisivo "não". Com pompa de xerife deu o grito para a libertação, grito este que o povo limeirense esperava ouvir.

Ronei lutou todo o tempo. Viu uma semana antes seu árduo trabalho como relator - debruçado sobre papéis, sempre questionar e aguçado, buscando a produção de um parecer coerente - ser rejeitado, desvalorizado pelos nobres colegas em troca de caraminholas de um relatório sem nexo. Mas seu grito reverteu o cenário e o tornou recompensado. O relatório que representava a vontade da população estava a salvo.

Há ainda os heróis de bastidores, de conversas, de negociações... Lembro-me de ouvir Eliseu falar com toda paciência no dia da aprovação do voto divergente da vereadora Nilce Segalla (PTB): "calma gente, nós vamos conseguir os dez!". É bom que fique registrado os contrariadores da vontade pública: Nilce, Iraciara Basseto (PV), Almir Pedro dos Santos (PSDB) e Silvio Brito (PDT).

Paulo Hadich (PSB), Mário Botion (PMDB), Eliseu Daniel (DEM), Miguel Lombardi (PR), Raul Nilsen (PMDB), João Alberto dos Santos (PSB), Carlinhos Silva (PDT), Carlos Rossler (PRP)... Cada um deu sua contribuição para a vontade democrática da população.


Abra-se aqui um parêntesis: há quem diga que o movimento era de minoria, mas sinceramente, não vi ninguém do movimento pró-absolvição se manifestar. Cada lugar que pisei nas últimas semanas só tinha cidadãos favoráveis à cassação, que mesmo não comparecendo à Câmara, participaram de suas casas, acompanhando pelas mídias disponíveis.

Cada "não" disparou os corações dos limeirenses. E ao fim, a cidade sentiu-se respirar com a dignidade retomada, com seus "heróis" e "reis", vendo sair  de fininho os "caubóis" e suas "noivas".



Vídeo indicação do Carlos Chinellato, editor-chefe do Jornal de Limeira:




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