O TURBILHÃO

...da categoria "desenho-devaneio"...

...desenho de caderninho, acompanhado de um texto-devaneio explicativo...

"Me sinto como envolta em um mundo que eu não sei qual é. Será que estou perdida? Percebo que não pertenço nem a lá, nem a cá, nem a coisa alguma, nem a ninguém". Sabe quando se interfere no curso de um rio jogando sobre ele vários obstáculos? Você nunca poderá prever o que vai acontecer. Muita movimentação a princípio, depois volta a calmaria, mas não como era antes. O rio segue rolando suas águas, mas por outros caminhos, com outros balanços. Essa nova rota, essa invasão de suas águas em novos campos, pode ser boa para uns, ruim para outros, mas e para o rio? Ninguém para pra pensar se para o rio aquilo faz alguma diferença. Ele é só um rio, pode suportar tudo isso. Tantos rios que tem tido muitas interferências a mudar o balanço de suas águas. Mas quem se importa? Que diferença faz para alguém que não sabe por onde as águas estão rolando, jogar mais uma interferência no rio, sem se preocuparse na verdade o que ele precisa é de ajudar pra se livrar delas? Ninguém quer remover obstáculos, retirar galhos, impedir inundações. Só querem salvar suas próprias águas. Talvez elas nem estejam agitadas, disfrutam de calmaria e só querem se manter assim. Ufa, que bom... para eles! Rios não se comunicam, não se trocam, às vezes se cruzam, interceptam, mas muitos são como Rionegro e Solimões, andam lado a lado, mas não se misturam. Quantos sentimentos estranhos rondam um rio quando ele passa a ser atacado, receber pedras, galhos, intervenções, tem que passar por cima de interrupções, de desvios. Ele fica confuso. Ele fica atordoado. Ele fica triste. Ele sente medo. Ele sente dor. Ele chora, mas ninguém vê, ninguém sabe. Por quê? Porque ele sorri sempre.


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