TEMPO SECO: fracasso

Chegamos a níveis quase recordistas em relação à Umidade Relativa do Ar. E olha que falta pouco para o recorde da década de 90 - quando foi registrada umidade em 12% - ser batido. Não precisa nem falar para saber que estamos em 14%, basta respirar fundo e já dá para sentir. A pele também reclama. Descamações e rachaduras apontam que tem algo errado.

Praticamente em todo o Brasil tem acontecido este problema (inclusive, estados proibiram a queimada de cana por medidas preventivas, já que a poluição gerada pela prática pode agravar ainda mais problemas respiratórios, tão recorrentes em período como este). A baixa na umidade prejudica todo tipo de atividade, desde as aulas de Educação Física nas escolas, até o serviço de trabalhadores rurais. Sem contar que a estiagem encarece o preço da carne, dificulta a produção agrícola e consequentemente desequilíbra diversos setores da economia.

Quem dera a questão fosse só aguardar a chuva, molhando toalhas e proibindo queimadas. Os incêndios "criminosos" continuam acontecendo nos canaviais. E para piorar, a população custa entender os malefícios que ela mesmo faz a si. Digo em especial das queimadas intencionais, para eliminar lixo, mato ou qualquer coisa do tipo. Ingenuidade ou omissão? Quem sabe...

OPERAÇÃO
A Defesa Civil de Limeira anunciou no começo de junho o início da Operação de Inverno. Miquéias Balmant, coordenador da Defesa, dizia que esse ano a campanha receberia uma "injeção de ânimo". Que a intenção era "alcançar novamente o patamar que a cidade tinha", se referindo a premiações em anos anteriores, como em 2002, pela garantia de qualidade no ar da cidade.

Para isto, uma campanha publicitária foi lançada, mas me parece que não deu muito certo. Particularmente,  até agora não vi nenhum desses folders e cartilhas. Pode ser que tenham sido distribuídos em escolas, onde os alunos são transformados em agentes multiplicadores das informações recebidas. Mas ora essa, também sou cidadã e caso não fosse do meio jornalístico, poderia não saber muitas coisas em relação ao assunto.

Cerca de 20 dias após a coletiva acima mencionada, que deu início à Operação Inverno consultei a Defesa Civil. Queimadas por todos os lados acendiam o alerta. E de fato, estavam sendo atendidas nada mais, nada menos que uma média de cinco a seis queimadas por dia. Já eram praticamente 120 queimadas registradas. Nesse curto período, o número já representava 35% das ocorrências de todo o período de operação do ano anterior. Segundo Balmant, de maio a setembro de 2009 (total de 152 dias) foram 350 ocorrências.

FRACASSO
A média de queimadas hoje continua em seis por dia. Em 51 dias temos em média 300 queimadas, o mesmo que 85% de todo o período no ano passado. Nessa projeção, se nada mudar, ao final da campanha vamos alcançar 900 queimadas.

O que se pode ver é que em termos de prevenção, principal objetivo do órgão quando anunciou a campanha, temos um fracasso. Mas por quê? Na minha opinião falta educação e comprometimento. Isso vale para a população, para o poder público e para a iniciativa privada. Talvez grande parte da população não entendeu o que representa ações mínimas como por fogo em um montinho de folhas ou jogar uma bituca de cigarro no meio do mato.

Por exemplo, na última segunda-feira, por volta das 19h30, passei em frente ao Residencial Olindo de Luca e uma grande área verde consumia em chamas. Era uma queimada de grande proporção, o fogo atingia boa parte e as labaredas atingiam alturas. Ao lado, pessoas contemplava o fogo, ouso dizer que admiravam. Naquele dia, a cidade já registrava umidade em 16%. Mas qual era a motivação, a preocupação para que tivessem evitado ou ao menos controlado aquele incêndio. Digo que nenhuma. Me parece que achavam interessante e inofensivo. No dia seguinte, terça-feira, passei lá por volta das 23h. As chamas ainda queimavam, mais tímidas, mas estavam alí, emitindo nuvens de fumaça. Ontem à noite já não existiam chamas, mas ainda subia uma fina cortina de fumaça. A região estava com um cheio horrível e tinha um aspecto nebuloso, opaco.

Precisamos de educação ambiental eficiente. E quem pode fazer isso é o poder público. Levar consciência à população. E a população precisa querer. Precisa entender os malefícios que atitudes como essa influenciam em todas as vidas da cidade. Postos, hospitais e farmácias lotados de gente doente, alérgica, em crise respiratória. Mas, que azar, a culpa é da natureza, que não manda chuva? Não só. A culpa é nossa também por não respeitar os limites que nos são impostos para que se mantenha uma convivência harmônica e equilibrada. Pense nisso.


Olindo de Luca, na última segunda-feira, dia 23; em meio a nuvem de
fumaça, pessoas observam o fogo: ingenuidade e omissão

Comentários

Postagens mais visitadas