como a vida perde a graça quando nossos amores se vão... (1)
Essa semana me dei conta de como a voz dela já não é mais tão nítida em minha mente. Nossas brincadeiras tão gostosas deixaram de existir. Minhas visitas à sua janela, faz tempo, deixaram de ser uma rotina. Acenar para ela quando descia no ponto de ônibus, enquanto ela me observava do portão não faz mais parte do meu dia a dia. (Eu nem moro mais lá também). Tenho dificuldade em lembrar quando foi nossa última conversa, sobre o que falamos. Só lembro quando ela já se sentia mal e minhas palavras eram só tentativas de descobrir o que estava tentando a levar para longe de mim (eu mesmo nunca acreditei que fosse conseguir, mas conseguiu, ela se foi, e tão rápido). Eu lembro do último presente que ganhei (e de muitos outros também - o tonico, um cachorro peludinho de brinquedo para suprir a ausência do verdadeiro que tinha morrido, o relógio-porta-retrato que a faxineira quebrou, alguns sutiãzinhos de menina-moça). Ela se foi perto do Natal (não houve um deles que ela deixo...